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Karipko: Holy Star Boyz (2018)

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No seu trabalho Karipko: Holy Star Boyz (2018), Zina Saro-Wiwa explora o hibridismo patente na figura de um humano com cabeça de antílope, conferido pelas máscaras que o povo Ogoni, do Delta do Níger, incorporam. A esta prática não é alheio o ritual espiritual, religioso e social que se associa à época de plantio. O povo Ogoni acredita que a alma de todo o ser humano abandona a sua forma humana e encarna na de um animal.

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Os Holy Star Boyz são uma nova raça, de outro lugar que ainda está a ser inventado. Elas são formas híbridas de existência que não podem ter lugar. Nascidos para executar, ainda não podem comportar-se como a sua mãe original gostaria que eles se comportassem. Eles são feitos de material novo

De entre todos os seus festivais e máscaras, é a máscara Karikpo a mais conhecida e célebre. A Karikpo é usada, na frente do rosto de homens e meninos, para jogos acrobáticos vigorosos, realizados originalmente durante as estações de plantio e colheita, festivais e cerimónias fúnebres. Mais recentemente, para celebrações de Natal e Ano Novo, incluindo receções a ilustres convidados. Este ritual de máscaras terá começado numa comunidade conhecida como Bien-Gwara. A interação desta comunidade com os Ibibios do Estado de Akwa Ibom, onde a máscara Ekpo tem sua origem, pode ter influenciado sua adaptação e modificação, daí seu nome Kari (Carved) Kpo (Ekpo).

No mostruário de máscaras de Karikpo, há vários animais como o antílope, o elefante, a raposa e os macacos, animais esses que são imitados, nos seus maneirismos, no decorrer da performance.

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Holy Star Boyz em exibição na exposição da Galeria Stephen Friedman, Talismã na Era da Diferença, com curadoria de Yinka Shonibare MBE (junho / julho de 2018)

Zina Saro-Wiwa, através de Karipko: Holy Star Boyz (2018), desperta-nos para a natureza mística do ser humano, para o ritual, para a crença e, ao mesmo tempo, procurará chamar a atenção para o sofrimento do povo Ogoni (ler artigo no Expresso).

QUEM É ZINA SARO-WIWA?

Zina Saro-Wiwa é uma artista que trabalha principalmente com vídeo, mas também fotografia, escultura, som e comida. Reside e trabalha em Brooklyn, Nova Iorque, o que não a impediu de fundar uma galeria de arte na região do Delta do Níger, na Nigéria, Boys Quarters Project Space, onde é, regularmente, curadora. Foi artista residente no Pratt Institute, Brooklyn 2016-2017, tendo sido premiada, em abril de 2017, com uma bolsa Guggenheim de Belas Artes.

O trabalho de Saro-Wiwa tem como base o mapeamento de paisagens emocionais. Explora, frequentemente, experiências altamente pessoais, registando cuidadosamente a sua coreografia, e tornando tangível o espaço entre a experiência interna e o desempenho externo. Não raramente, o seu trabalho tece” considerações transculturais e ambientais/geográficas. A dinâmica escorregadia entre verdade”, realidade” e performance” está no coração do seu trabalho de performance em vídeo, onde a ideia de paisagem e ambiente é constantemente questionada.

A primeira incursão de Saro-Wiwa no mundo da arte foi em 2008, quando o seu documentário This Is My Africa foi exibido na Stevenson Gallery, na Cidade do Cabo. O filme passou a ser exibido na HBO e em festivais de cinema, museus e galerias. Foi em 2010 que a sua carreira como artista começou, em Nova York, com uma exposição de arte contemporânea no SoHo, na então Location One Gallery.

Após a estreia, recebeu encomendas da Menil Collection e do Seattle Art Museum. Expôs na Pulitzer Foundation, Moderna Museet, em Estocolmo, Stevenson Gallery, Galeria Goodman, Nikolaj Kunsthal, Tate Britain, Museu Fowler, em Los Angeles, Brooklyn Museum e muitas outras instituições.

O trabalho de Saro-Wiwa pode ser apreciado em museus e coleções particulares, em todo o mundo.

www.instagram.com/zswstudio

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