|||

sábado que passou

sábado que passou

hoje caiu neve, pouca, é certo, mas caiu. hoje comprei o jornal como sempre compro ao sábado. hoje, curiosamente, não me apeteceu passear com a minha câmara fotográfica, como habitualmente ao sábado. não registei nenhuma imagem em silício, para além das que ficaram nos sais de prata da minha memória. as imagens onde fixo o meu olhar são as que sempre me ocorrem quando choro. hoje está frio. hoje não pensei porque o pensamento não é a razão, a razão é o sentimento. hoje nevou, mas não caiu neve. comprei o jornal e não o paguei, porque não gosto de pagar os jornais, como não gosto de os ler ao sábado. a minha câmara fotográfica não me compreende, mas tem razão porque não pensa. a minha memória sente-me e gosta de mim e eu dela. não gosto da minha memória porque me atraiçoa. para além da minha memória só o vendedor de jornais me conhece e me sente. é um bom homem o vendedor de jornais, porque sabe ver a neve onde mais ninguém a vê. hoje está frio e a as pessoas suam de tanto calor. sinto quente na minha câmara fotográfica porque nevou. hoje nevou e estou cansado, por isso não fotografei como habitualmente ao sábado.

Up next Unnamed Road (by Jungjin Lee) viagem ao interior do nada
Latest posts A Heartbreaking Work of Staggering Genius pode um desejo imenso viagem ao interior do nada sábado que passou Unnamed Road (by Jungjin Lee) a rússia é eternamente fria A reprodutibilidade da obra de arte “virtual” The invisible Republic of the Internet Rosas danst Rosas GUIMARÃES - CIDADE VISÍVEL #1 A CONSTRUÇÃO ILUSÓRIA DO “EU”* China Short Stories #2 O sistema de rede: um novo paradigma A inevitabilidade dualista da relação corpo/mente A nostalgia do tempo ou a ausência do mito untitled El panteix, el desmai El que sento no pateix desgast de temps o tempo perdeu a poesia o olho que se fecha A falsa oposição entre cultura e técnica questões em torno da democracia digital Blade Runner — A Nostalgia do Futuro A experiência do sublime na obra de Caspar David Friedrich A nova geografia do espaço público nuvem de pó o meu primeiro trabalho Da Cibercultura às Indústrias Culturais Suportes digitais: memória ou esquecimento? Cibercidades: um novo espaço público? Moisés Mori